Dia frio e estranho.
Daqueles meio branco e meio cinza.
Minha cabeça doía a cada passo. Rua molhada. Rua vazia.
Num dia qualquer aquele vazio me daria medo. Cada esquina, cada escuro.
Entretanto exausta nem pensei.
Cabeça fervendo, já etivera desde mais cedo quando saí do trabalho.
Trabalho. Nome justo. Trabalho.
Acho sempre meio fingindo quando alguém me fala que gosta de trabalhar. Talvez seja coisa da minha cabeça, garanto que se você estivesse dentro dela ficaria um tanto horrorizado com umas coisas que vão passando, mas elas vão passando e eu não posso fazer coisa alguma que não deixá-las passar. Quem sabe deixando, elas não passem pra outro lugar- de preferência fora da minha cabeça.
Barulho, regras, papéis, horários. Só uma cerveja para amenizar o final de um dia assim, e preparar para um semelhante.
Entrei no bar. Não dos mais populares.
Quis ver coisas bonitas, pessoas diferentes. Só ver.
Pedi a cerveja.
Me perdi em algum lugar em mim que não se passava nada. Nem pensamento. Quando voltei minha vista foi direto numa mulher. Elegante, vestido vermelho, uma boa maquiagem e salto. Lembrei de quanto tempo não me arrumava. Sempre quis um vestido vermelho bem sexy, e aquele ficaria lindo em mim. Mulher tem essa coisa de inveja, e nega até a morte se desfazendo até mesmo do que gosta só porque está em outra pessoa. Mas eu não estava pensando nisso. Achei a moça parecida comigo, se bem que ela era um tantinho mais velha. Cabelo curto, também já tive cabelo assim uma vez mas fazia muito tempo.
Mais uma cerveja e não me dava a mínima vontade de voltar pra casa, nem pra vida do dia seguinte, a música estava agradável.
A moça pediu wisky. Pra ser a mulher fatal só faltou fumar.
Até imaginei cenas de filme. Ri comigo.
Pouca comida, muita correria, fiquei sucetível a embriaguez. Continuei bebendo.
Não sei se vi coisas aquela hora da noite, mas a mulher tinha o meu rosto. Não é possível que minha mãe tenha escondido uma gêmea por aí, ri novamente enquanto ela vinha em direção a minha mesa.
Do riso fiz uma cara estranha pela nossa semelhança. Foi ficando mais confortável quando eu vi que já tinham quatro cervejas embaixo da minha mesa, e o bar estava à meia luz.
Falamos de músicas, das que faziam a gente sentir dor, das que faziam a gente pular na cama feliz de manhã, das que vinham cheias de memórias.
Falamos dos livros, os que nos tragava para dentro, os que terminavam molhados de lágrimas, os que nos lembravam nossa propria forma de escrever.
Ela também escrevia.
Falamos dos filmes, e aí foi um custo a mudar de assunto.
Mas me sentia a vontade. Falei do palco, meu pouco contato com ele enquanto fazia teatro e a minha louca vontade de uma aproximação maior. Cantei um pouco das minhas canções criadas com amigas em mesas de bar. Mostrei um desenho que eu carregava comigo na carteira, um dos mais significativos que fiz.
- É nisso que trabalha?
Lá se veio a pergunta que bagunça a vida. Não, não era em nada daquilo que eu trabalhava, respondi com os olhos distantes e reclamei que o tempo que eu tinha agora era pouco para fazer qualquer uma dessas coisas com intensidade.
-E você no que trabalha?
Ela hesitou, abriu um leve sorriso.
- Faço parte de uma parte que existe nos sonhos.
Que coisa louca, que emprego era esse. Pensei em em um filme que vi sobre uma empresa de sonhos. Meu rosto de dúvida exigia por si resposta.
- É isso mesmo. Tudo o que você gosta de fazer é o que eu faço na vida. Vem de dentro.
- E ganha para isso?
- Muito. Mesmo quando não ganho nada.
Passei uns dois minutos pensando.
Nem soube o que responder e muito menos o que perguntar.
Olhei minhas cervejas e o relógio, contei o dinheiro e pus na mesa.
Levantei, pedi um cigarro na mesa ao lado. Acendi.
Ela só me olhava.
Saí do bar.
Cabeça cheia e vazia a um tempo só.
Senti um pouco de medo, um pouco de solidão e um muito de vazio.
Eu estava virando um grande buraco, e assistia isso da camarote.
Assistir é fácil. Acho que vou fazer umas pipocas para ficar mais divertido.
Que embriagues maluca. Dormi.
Na manhã seguinte me bateram à porta. Atordoada e quase atrasada para o trabalho fui abrir, apenas uma caixa. Visualizei a rua por inteira, ninguém. Só a caixa.
Podia ser uma bomba mas a curiosidade nem me deixou pensar. Abri bem rápido.
Macio, vermelho.
Um vestido.
Fernanda Paz
quarta-feira, 27 de abril de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Sentada, quieta.
A flor da pele, sentia cada nota que ele tocava, lhe invadindo.
Um arrepio quente no corpo com o toque firme dos dedos nas cordas, que iam precisos do suave ao brusco, tamanha intensidade trazia ao rosto dele expressão dolorida, que parecia querer desabar num grito...
Seu corpo pulsava, e nesse instante sentia o som forte ouvido a dentro sem pedir licença.
Fechou os olhos e respirou, ainda não era aquela guitarra.
Fernanda Paz
A flor da pele, sentia cada nota que ele tocava, lhe invadindo.
Um arrepio quente no corpo com o toque firme dos dedos nas cordas, que iam precisos do suave ao brusco, tamanha intensidade trazia ao rosto dele expressão dolorida, que parecia querer desabar num grito...
Seu corpo pulsava, e nesse instante sentia o som forte ouvido a dentro sem pedir licença.
Fechou os olhos e respirou, ainda não era aquela guitarra.
Fernanda Paz
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Poucas verdades
Era uma certeza.
Certeza dos olhos, da boca. Certeza de dentro.
De cada pedaço de dentro que era capaz de sentir.
Das manhãs juntos guardou o sorriso da brincadeira entre os corpos. Guardava para usar quando saísse a rua e visse o mesmo céu, ou o balançar das folhas com o vento de uma tarde quente no trabalho.
Estava assim agora. Riso solto, expressão leve, felicidade obvia a quem via.
Juntos eram moleques, amantes, donos um do outro numa inocente possessividade provocada pela vontade de estar perto.
Frases ensaiadas dos mais lindos filmes românticos. Ensaiadas sem ensaio. Ensaiadas do impulso que movia a boca.
Lembrança repetida e involuntária da boca depois dos beijos pronunciando amor .Não se questionava sobre verdades, por que naquela hora os olhos também falaram. E o corpo há muito já havia lhe dito. E este sim falava com força, força que lhe deixava tonta de feliz.
Felicidade que tapava os olhos e os ouvidos à contradição de planos. Também apagava idades, convenções, e derrubava empecilhos com a facilidade de dominós enfileirados, quantos fossem.
E ainda na mente o sussurro de amor daquela manhã.
Manhã de muitas, ou de poucas. Mas capazes de se tornarem eternas e constantes... ainda que na mente.
Fernanda Paz
Certeza dos olhos, da boca. Certeza de dentro.
De cada pedaço de dentro que era capaz de sentir.
Das manhãs juntos guardou o sorriso da brincadeira entre os corpos. Guardava para usar quando saísse a rua e visse o mesmo céu, ou o balançar das folhas com o vento de uma tarde quente no trabalho.
Estava assim agora. Riso solto, expressão leve, felicidade obvia a quem via.
Juntos eram moleques, amantes, donos um do outro numa inocente possessividade provocada pela vontade de estar perto.
Frases ensaiadas dos mais lindos filmes românticos. Ensaiadas sem ensaio. Ensaiadas do impulso que movia a boca.
Lembrança repetida e involuntária da boca depois dos beijos pronunciando amor .Não se questionava sobre verdades, por que naquela hora os olhos também falaram. E o corpo há muito já havia lhe dito. E este sim falava com força, força que lhe deixava tonta de feliz.
Felicidade que tapava os olhos e os ouvidos à contradição de planos. Também apagava idades, convenções, e derrubava empecilhos com a facilidade de dominós enfileirados, quantos fossem.
E ainda na mente o sussurro de amor daquela manhã.
Manhã de muitas, ou de poucas. Mas capazes de se tornarem eternas e constantes... ainda que na mente.
Fernanda Paz
sábado, 21 de agosto de 2010
eStamPidO ! =D

E lá vamos nós mais uma vez,
colorir um mundo branco, e substituir lágrimas por risadas...
encher de emoções espaços vazios de mentes cansadas de uma rotina dolorosa...
E depois somos nós que voltamos a nossa própria rotina (dolorosa ou não)
Coloridos com as cores que nós mesmos nos propusemos a espalhar.
Cores essas que não saem, uma tinta interna, uma tinta que transborda pelos poros...
Uma tinta pulsante chamada vida.
Quer vir conosco???
Fernanda Paz (www.projetoestampido.blogspot.com)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
"o colchão macio. O lençol de flores. E aquele cheiro de amaciante. Quanta coisa naquele lençol. E essa dor no meu corpo no colchão macio. E esse rasgo interno vertical. E as flores, as flores. Vontade de colocar tudo pra fora e estragar o cheiro do amaciante. Me sujar do que comi e não quis ficar dentro. E o lençol de flores. E o lençol de flores vermelhas. E o leçol sem você."
Fernanda Paz
Fernanda Paz
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Jogue comigo
Tenha um jogo
Um plano
Jogue comigo sim
Arme
Talvez eu me perca
Jogue comigo
Só não se perca
Encontrá-lo será fácil ou difícil
Jogue comigo e se perca
encontrá-lo será o objetivo
Saberei todas as regras
Sabotarei todas as regras
Jogue comigo
Fernanda Paz
Vestido
Um Vestido
Pequeno,apertado
Um Vestido de dor
Eu vestida de dor
Meu corpo adapta-se
Meu corpo confunde-se com o vestido
E mesmo tendo ganhado este
Este de felicidade que tu me destes
Ainda há marcas em meu corpo
E eu não sei como tirá-lo
Mas quero vestir o novo
Vestir suas cores,seus risos
Quero vestir você
Preciso do Vestido de felicidade que tu me deste.
Fernanda Paz
Pequeno,apertado
Um Vestido de dor
Eu vestida de dor
Meu corpo adapta-se
Meu corpo confunde-se com o vestido
E mesmo tendo ganhado este
Este de felicidade que tu me destes
Ainda há marcas em meu corpo
E eu não sei como tirá-lo
Mas quero vestir o novo
Vestir suas cores,seus risos
Quero vestir você
Preciso do Vestido de felicidade que tu me deste.
Fernanda Paz
sábado, 24 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Raízes tuas
Mesmo correndo desenfreada por tempos e tempos meus atrás
Não conseguiria desgrudar o que de ti se fincou
como raízes por todos os pedaços de mim.
Nem correria pra tão longe,
se mesmo ainda tendo-o perto
uma saudade muda e cinza me desafia
por cada minuto improvável de proximidade
E mesmo que se torne inevitável
Arrancando tais raízes
Não sei ao certo qual pedaço de mim ficaria.
Fernanda Paz
terça-feira, 22 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Inverno
Noite fria.
Uma dose forte certamente iria esquentar.
Ao invés do álcool, me veio uma dose forte de você.
O vermelho da touca.
O vermelho das bocas em beijos imprevistos.
Olhos expressivos.
Meus,
Seus.
Sua embriagues incerta me levava com mãos firmes por toda a noite de um inverno quente em mim.
Depois um adeus apertado.
E mais um dos meus óbvios amanhas ausentes.
Minha embriagues prévia trouxe no dia seguinte ressaca de um nunca mais.
Fernanda Paz
Uma dose forte certamente iria esquentar.
Ao invés do álcool, me veio uma dose forte de você.
O vermelho da touca.
O vermelho das bocas em beijos imprevistos.
Olhos expressivos.
Meus,
Seus.
Sua embriagues incerta me levava com mãos firmes por toda a noite de um inverno quente em mim.
Depois um adeus apertado.
E mais um dos meus óbvios amanhas ausentes.
Minha embriagues prévia trouxe no dia seguinte ressaca de um nunca mais.
Fernanda Paz
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